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Junho 22, 2007

No olho do furacão

Arquivado em: Informação — Rafael Tourinho Raymundo @ 5:06 pm

Iniciada em abril de 2007, a Operação Hurricane vem tentando desbaratar a chamada máfia dos caça-níqueis. A Polícia Federal já prendeu juízes, desembargadores e políticos acusados de receber propina para favorecer casas de jogo. A mais recente ação da PF aconteceu nesta quinta-feira, em Macaé (SP), com a prisão de um chefe de delegacia.

O assunto vem ganhando considerável atenção das mídias do país. Denúncias não param de surgir nos principais jornais, revistas e programas de televisão. Entretanto, em nenhum momento questionou-se a validade da Operação Hurricane. Afinal, o combate às práticas ilícitas de jogo ajuda a diminuir a corrupção no país. Será?

Nossa reportagem foi ouvir o outro lado da história. Nenhum dono de casa de máquinas quis se identificar, com medo de possíveis implicações legais. No entanto, o gerente de uma casa da região metropolitana de Porto Alegre não hesitou em afirmar: “nosso trabalho não é desonesto”. Ele explicou que o maior problema é a falta de regulamentação para a o jogo no Brasil.

 “A lei Pelé garantia a exploração de bingos e jogos eletrônicos, mas, após uma modificação no texto, ficamos sem este amparo legal. Como não há regras que proíbam, nem que autorizem o jogo, ficamos à margem da Lei”, resume. “Agora temos que concorrer com bicheiros e outras pessoas que se aproveitam da situação para lucrar”, garante o gerente.

O profissional ainda esclarece que os caça-níqueis, ao contrário do que muita gente imagina, não podem ser adulterados. “Não trabalhamos com máquinas de fundo de quintal, mas, sim, com os mesmos aparelhos utilizados nos cassinos dos Estados Unidos. É impossível adulterá-los”, afirma.

A perseguição aos caça-níqueis foi intensificada a partir de fevereiro de 2004, quando o governo decretou uma medida provisória que proibia o funcionamento de bingos e jogos eletrônicos. Desde então, funcionários de bingos e autoridades responsáveis vêm batalhando, sem sucesso, por uma lei que regulamente o jogo no Brasil.

Enquanto isso, a antiga distração dos aposentados fica comprometida porque falta fiscalização séria. Cada vez mais, a atividade se torna território livre para práticas ilícitas. E, em terra de ninguém, sem lei e autoridade, talvez ações como a Hurricane não sejam suficientes para acabar com a corrupção.

Junho 1, 2007

Uma nova memória televisiva

Arquivado em: Diversão, Informação — Rafael Tourinho Raymundo @ 7:50 pm

Que o YouTube virou febre, não é novidade. O site já foi consagrado pelos internautas como espaço para exibir os mais variados vídeos. Há diários virtuais, manifestações artísticas, mensagens políticas, videoclipes e uma infinidade de besteiras gravadas em casa ou tiradas da TV.

Aliás, a relação entre o YouTube e a televisão rende muita conversa. Ao jogarem trechos de programas de TV na rede, os usuários do site transformam o conteúdo televisivo em algo diferente. Ao mesmo tempo, o modo caseiro e espontâneo de gravar vídeos para o YouTube inspira novas atrações em redes de TV.

A grande sacada é a liberdade para se publicar o que quiser. É possível encontrar, no YouTube, tudo aquilo que a televisão não mostra (ou tenta esconder). Programas antigos, que já saíram do ar, estão lá. Fatos noticiosos que a televisão se recusa a mostrar, também.

Apesar disso tudo, o que mais faz sucesso são as mancadas de programas ao vivo. A professora e pesquisadora em comunicação Nísia Martins do Rosário acredita que é através do cômico que o YouTube re-configura as lógicas televisivas. Para ela, a informalidade com que muitos assuntos são tratados gera um modo de comunicação bem diferente do visto na televisão.

Bem ou mal, o YouTube apresentou uma nova forma de armazenar a memória televisiva. Mesmo sem a formalidade original, as cenas permanecem eternizadas na web. Talvez estes vídeos não mudem o jeito de fazer televisão, mas, certamente, apresentarão formas inusitadas de fazer a TV ser lembrada.

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