Iniciada em abril de 2007, a Operação Hurricane vem tentando desbaratar a chamada máfia dos caça-níqueis. A Polícia Federal já prendeu juízes, desembargadores e políticos acusados de receber propina para favorecer casas de jogo. A mais recente ação da PF aconteceu nesta quinta-feira, em Macaé (SP), com a prisão de um chefe de delegacia.
O assunto vem ganhando considerável atenção das mídias do país. Denúncias não param de surgir nos principais jornais, revistas e programas de televisão. Entretanto, em nenhum momento questionou-se a validade da Operação Hurricane. Afinal, o combate às práticas ilícitas de jogo ajuda a diminuir a corrupção no país. Será?
Nossa reportagem foi ouvir o outro lado da história. Nenhum dono de casa de máquinas quis se identificar, com medo de possíveis implicações legais. No entanto, o gerente de uma casa da região metropolitana de Porto Alegre não hesitou em afirmar: “nosso trabalho não é desonesto”. Ele explicou que o maior problema é a falta de regulamentação para a o jogo no Brasil.
“A lei Pelé garantia a exploração de bingos e jogos eletrônicos, mas, após uma modificação no texto, ficamos sem este amparo legal. Como não há regras que proíbam, nem que autorizem o jogo, ficamos à margem da Lei”, resume. “Agora temos que concorrer com bicheiros e outras pessoas que se aproveitam da situação para lucrar”, garante o gerente.
O profissional ainda esclarece que os caça-níqueis, ao contrário do que muita gente imagina, não podem ser adulterados. “Não trabalhamos com máquinas de fundo de quintal, mas, sim, com os mesmos aparelhos utilizados nos cassinos dos Estados Unidos. É impossível adulterá-los”, afirma.
A perseguição aos caça-níqueis foi intensificada a partir de fevereiro de 2004, quando o governo decretou uma medida provisória que proibia o funcionamento de bingos e jogos eletrônicos. Desde então, funcionários de bingos e autoridades responsáveis vêm batalhando, sem sucesso, por uma lei que regulamente o jogo no Brasil.
Enquanto isso, a antiga distração dos aposentados fica comprometida porque falta fiscalização séria. Cada vez mais, a atividade se torna território livre para práticas ilícitas. E, em terra de ninguém, sem lei e autoridade, talvez ações como a Hurricane não sejam suficientes para acabar com a corrupção.


